sexta-feira, 12 de março de 2010
" Viver a vida "
Como já falei em outro texto, há pessoas que não gostam de novela, por
várias razões.
Tudo bem, ninguém é obrigado a gostar, mas ninguém pode negar que uma
novela com certos temas como: racismo, preconceito em geral, a impunidade do
mal (pelo menos até o último capítulo), nos faz parar e pensar, nem que seja
pra dizer que isso não acontece na vida real, ou para revermos certos conceitos,
ou para falar que esse tema deveria ser abordado por outro ângulo.
Nos últimos tempos esteve e estão "no ar" novelas que
mostraram e mostram um assunto que fala de um tema que mexe comigo e com muitos
dos meus amigos: deficiência.
Seja uma cega que mostrou que podia trabalhar, namorar, casar, criar uma
família, ter filho e cuidar dele sozinha, apesar de não enxergar nem uma sombra
do rostinho da criança que ela colocou no mundo. E mais, mostrou que uma pessoa
cega pode ter filhos " videntes " (pessoa que enxerga).
Outra novela mostra um rapaz surdo, que apesar da sua deficiência
consegue estudar, gosta de música.
E outra novela que não preciso nem dizer o motivo, é a minha preferida,
que mostra uma modelo que sofre um acidente e se torna tetraplégica.
Conheço pessoas que criticam dizendo que deveriam mostrar uma moça sem
condições financeiras, para, por exemplo, lutar para conseguir uma cadeira de
rodas ou um local para fazer seus exercícios para ter uma melhora na qualidade
de vida.
Mas acho que devemos perceber que novela é algo lúdico, tem que ter uma
"leveza", senão as pessoas não aguentam tanta realidade.
Realidade cruel já assistimos nos telejornais, já lemos nas revistas.
Novela é para diversão, tocando sim, em temas reais, mas não precisam
ser tão fiéis à nossa dura realidade.
Bom voltando à novela em questão, mostrou e mostra todo o período de
recuperação desde a revolta do primeiro momento em que ela se descobre sem
movimentos algum do pescoço para baixo, a alegria dos primeiros movimentos, que
por menores que sejam, são grandes vitórias para ela, a "liberdade"
de voltar a se alimentar e se maquiar sozinha, com auxílio de adaptações nas
mãos, a recuperação da auto-estima, voltando a se sentir um ser humano e uma
mulher como qualquer outra.
Essa mulher nos mostra ainda muita coragem, quando resolve terminar um
namoro de anos, por perceber que ficou "sozinha" desde o momento do
acidente, já que esse namorado não se fez presente em sua vida nesse período
tão difícil e doloroso para ela.
Porém como estamos falando em novela, já sabemos que ela já tem um novo
pretendente, na espera somente de um sinal dela para ficarem juntos.
Isso, sim, concordo que foi escolha do autor da novela, pois, na vida
real não é certo de que ela encontraria alguém tão rápido. Poderia ou não
acontecer.
O que importa eu acho, é que essa mulher é um exemplo do que pode e do
que acontece com muitos de nós deficientes que sofremos um acidente ou que
nascemos com alguma deficiência. Podemos e devemos lutar para ficarmos melhores
e sermos felizes sempre.
Essa personagem, como tantos da vida real, é um exemplo de superação dos
seus limites, e modelo de alegria e amor à vida.
Não é por que temos limitações, sejam elas quais forem, que devemos
ficar trancados em casa e pior trancados dentro de nós mesmos.
Devemos sim, viver a vida, da melhor maneira possível.
Autoria: Isaleão.
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