20/03/2015
Sensações
Vocês já pararam para pensar em quantas coisas que gostam ou gostavam de fazer mas que por algum motivo tiveram que parar de fazer? Pois é, eu voltei a fazer duas coisas esse ano, que já não fazia há anos, ir à praia e ir ao carnaval.
Deixei de ir a essas duas diversões por muitos anos, por não ter condições de ir sozinha com minha mãe.
Mas este ano, graças a um amigo dela, pude voltar, e foi maravilhoso. Voltar a sentir a água do mar molhando meu corpo, trouxe-me de volta a sensação de liberdade, de tranquilidade, que eu sentia muita falta. Água sempre me relaxa; a piscina e, principalmente, o mar me trazem sensações maravilhosas, viro peixinha, rss.
Ir ao carnaval trouxe-me a sensação de participar de um grupo, rever amigos. Foi muito gostoso.
Agradeço essa alegria a Deus, à minha mãe, a esse amigo dela e ao Projeto Para - Praia, projeto que acontece em algumas capitais e que sem ele muitas pessoas com deficiência como eu, não teriam condições de conhecer a praia e de voltar a dar um mergulho.
Comecei meu 2015 com pé direito e espero que seja um ano maravilhoso para mim e para todos.
Isaleão.
sábado, 21 de março de 2015
terça-feira, 17 de março de 2015
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Mundo cor de rosa.
Todos nós passamos por momentos difíceis na vida. Decepções,
frustrações, sensação de fracasso...Eu já passei por tudo isso e sofri muito.
Já me decepcionei com amizades, familiares, já tive inúmeras desilusões
amorosas. Tudo isso me machucou, fez-me ficar mais fechada para as pessoas, mas
também me fez crescer e amadurecer.
Essas decepções me fizeram enxergar que não vivemos num mundo cor de
rosa, que acreditamos existir quando somos crianças. Papai e mamãe não são o
Super - Homem e a Mulher Maravilha, nossos amigos não são inseparáveis, nossos
amores não são príncipes e princesas.
Enfim, nossa vida não é um comercial de margarina. As pessoas tem
qualidades, mas também tem defeitos e você também os têm (qualidades e defeitos
).
O que é preciso fazer para se viver no mundo real e não numa história de
contos de fadas? Enxergar as coisas e as pessoas como realmente são.
Papai, mamãe, família, amigos, amores, todos são seres humanos e são
passíveis de erro.
Ninguém é obrigado a dar o que você "acredita" merecer e ter.
Ninguém é obrigado a dar o que você está disposto a oferecer. Cada um dá aquilo
que tem. Não é nada fácil, às vezes, você tomar essa consciência, mas é
necessário, para que você consiga viver de forma mais completa.
As dores, as mágoas, as lembranças sofridas, vão continuar pois não
existe "borracha" para apagar isso, mas se você conseguir enxergar as
coisas como são, mesmo com certo sofrimento, e sabendo que vai levar tempo para
que tudo fique no seu devido lugar, vai se sentir com certeza mais leve e mais
feliz.
É difícil encarar certas verdades de cara limpa? É sim. Mas é
necessário. Se sentir necessidade disso, faça. Se já estiver nesse processo,
aguente firme até o fim, você verá que muita coisa se resolve por si, dentro de
você, trazendo mais tranquilidade e paz interior.
É tão bom "crescer"...
Isaleão
Liberdade ou prisão?
Alguns pensam nela como prisão, outros como liberdade. Eu pensava nela
com certa resistência até usá-la pela primeira vez. Aí mudei minha visão e
passei a vê-la como liberdade, autonomia para fazer muitas coisas sozinha, como
por exemplo: carregar coisas no colo, carregar minha cadelinha, sair sozinha ou
mesmo acompanhada, conseguir acompanhar mais de perto quem está comigo, ser
mais rápida em certas situações pois com o andador eu não consigo ser rápida,
correr. Um fato que me marcou quando comecei a usá-la, foi quando fui ao
shopping a primeira vez com minha mãe. Não gente, não foi a primeira vez que
fui ao shopping com ela mas foi a primeira vez que consegui acompanhá-la às
compras, pois, antes eu ia e ficava sentada num banco ou na praça de
alimentação. Só me dei conta do que estava acontecendo quando ouvi minha mãe
dizer: Poxa estou feliz pois é a primeira vez que estou fazendo compras com a
minha filha.
Eu sei que para aqueles que não conseguem " tocá-la "
sozinhos, ela pode parecer uma prisão, mas mesmo vocês, parem para pensar no
seguinte: e se eu não tivesse ela para me levar para passear, para o médico ou
mesmo para tomar um ar na frente de casa, o que seria de mim em cima de uma
cama a vida toda?
Mas para aqueles que conseguem andar, seja com andador, muletas,
bengalas, ela não deve ser vista como prisão, como acomodação ou retrocesso na
nossa deficiência, ela deve ser vista, sim, como mais uma aliada à nossa
independência e liberdade de ir e vir.
Tenho amigos, que como eu, ainda conseguem andar, mas que preferiram
ficar nela ou ficar mais tempo nela por opção, por serem mais cômodas do que
ficarmos cansando á toa. Tenho amigos que sabem que o dia de usá-la está
chegando, mas têm o medo que falei acima, o medo de ficarem " aprisionados
", vistos como acomodados, preguiçosos.
Eu posso dizer por experiência própria, ela não aprisiona, não te deixa
mais acomodado, mais preguiçoso, se você mesmo já não for prisioneiro dos seus
medos, não te deixa mais acomodado ou preguiçoso, se isso já não fizer parte da
sua personalidade.
Pensem nisso...
Mas afinal de conta, quem é "ela" a quem me refiro nesse
texto? Será que vocês já sabem quem é? Acho que sim né...rsrsrs. Mas mesmo
assim eu vou falar, vai que tem algum distraído, desatento não é mesmo?
Eu estou falando da cadeira de rodas.
Agora você me diz: ela é prisão ou liberdade em sua vida?
Autoria: Isaleão.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Reações Diferentes
Como vocês meus amigos e seguidores já sabem, eu sou viciada em
internet: chats, orkut, blogs, enfim tudo que me faça conhecer pessoas novas,
experiências diversas. Com isso, vou vendo e aprendendo como cada um lida com a
sua realidade, eu vou me comparando ou não, a cada um.
É interessante conhecer, não só deficiências novas, com suas sequelas
diferenciadas, como também, conhecer pessoas com a minha deficiência, mas que
tenham sequelas parecidas ou não às minhas. Mais interessante, é conhecer o
emocional dessas pessoas, pois, não importa se a pessoa nasce deficiente ou se
torna um, para que haja a revolta ou a aceitação. O que quero falar com isso?
Explico: conheço pessoas que nasceram deficientes, como eu, e que são super
revoltadas, tem raiva do mundo, e outras que levam a vida como se tivessem numa
eterna brincadeira. Por outro lado, também conheço pessoas que se tornaram
deficientes, seja por doença, acidente, assalto, que também agem das duas
maneiras, aceitando ou se revoltando.
Claro que é super natural as perguntas: Por que comigo? O que eu fiz
para que isso tenha acontecido comigo? Mas o que me pergunto às vezes é:
Adianta se revoltar? Adianta acusar o outro? Adianta se revoltar contra Deus?
Eu, sinceramente, acho que não.
É difícil ser deficiente? É sim. Muitas vezes é muito doloroso, não só
fisicamente, quanto emocionalmente, eu sei disso. Muitos de nós convivem com
dores físicas todos os dias, com dores emocionais constantemente a cada
situação de preconceito.
Mas se a gente baixar a cabeça, se ficarmos nos lamentando, as dores vão
passar? O preconceito vai acabar? Não, amigos, nada disso mudará. Então, por favor,
repensem suas posturas em relação às suas deficiências, corram atrás da melhora
ou mesmo cura, se esse for o caso, mas para os que não tem cura, procurem viver
da melhor forma possível, aceitando suas limitações, buscando apoio emocional,
quando possível e necessário, aceitando ajuda de órteses, proteses, aparelhos
ou cadeira de rodas, também se necessário, para sua melhor qualidade de vida.
E, principalmente, não descontem suas frustrações no próximo ou em Deus. As
pessoas ao seu redor podem te ajudar, dando condições de você ter uma vida mais
feliz e cheia de amor, amizade e carinho, e Deus está ao nosso lado, sempre,
pois ELE é o nosso PAI MAIOR. ELE não faz nada contra nós, apenas permite que
aconteça para que aprendamos algo.
Joguem fora a revolta, a auto piedade, isso não leva a nada.
Autoria: Isaleão.
Saída de Emergência
Quem me conhece sabe que sou frequentadora de shoppings, não que seja
consumista e nem compulsiva mas porque acho um local onde podemos fazer várias
coisas diferentes com certo nível de segurança e conforto, como por exemplo
encontrar pessoas amigas, fazer novos amigos, fazer um lanche gostoso, ver um
filme, e claro fazer compras (o que para nós mulheres não é nenhum
sacrifício...kkkk).
Mas uma coisa sempre me chamou a atenção e me causa um certo
desconforto. O que é? É aquele aviso perto de elevadores que diz: Em caso de
incêndio, favor usar a saída de emergência ou as escadas.
Alguém já parou para pensar como nós deficientes vamos escapar de um acidente
desses? Ah! não pararam para pensar não é? Pois parem agora e pensem...Como um
deficiente físico que anda com dificuldade ou que anda com cadeira de rodas vai
sair correndo pelas escadas? Criando asas, né?....kkkk, ou como um deficiente
visual ou deficiente auditivo vai perceber o perigo e vai conseguir chegar até
as escadas? É amigos, só tem uma solução, já que os shoppings, na sua maioria,
têm mais de um nível, sabem qual é a solução? Rezar para Deus, para que os
shoppings NUNCA peguem fogo, senão vamos virar churrasquinhos...kkk.
Não estou com esse texto querendo fazer com que os deficientes não
frequentem os shoppings, longe de mim querer isso, já demoramos tempo demais
para colocarmos nossas caras nas ruas, mas escrevo sobre isso para que pensemos
nos riscos que corremos sem as vezes nos dar conta.
Não deixem de ir aos shoppings por favor, senão os empresários dessa
área vão querer me matar...kkkk. Só fiquem espertos a qualquer movimentação
diferente e se perceberem peçam ajuda para sair do shopping sem fazer
alarde,ok.
Isaleão
sexta-feira, 12 de março de 2010
" Viver a vida "
Como já falei em outro texto, há pessoas que não gostam de novela, por
várias razões.
Tudo bem, ninguém é obrigado a gostar, mas ninguém pode negar que uma
novela com certos temas como: racismo, preconceito em geral, a impunidade do
mal (pelo menos até o último capítulo), nos faz parar e pensar, nem que seja
pra dizer que isso não acontece na vida real, ou para revermos certos conceitos,
ou para falar que esse tema deveria ser abordado por outro ângulo.
Nos últimos tempos esteve e estão "no ar" novelas que
mostraram e mostram um assunto que fala de um tema que mexe comigo e com muitos
dos meus amigos: deficiência.
Seja uma cega que mostrou que podia trabalhar, namorar, casar, criar uma
família, ter filho e cuidar dele sozinha, apesar de não enxergar nem uma sombra
do rostinho da criança que ela colocou no mundo. E mais, mostrou que uma pessoa
cega pode ter filhos " videntes " (pessoa que enxerga).
Outra novela mostra um rapaz surdo, que apesar da sua deficiência
consegue estudar, gosta de música.
E outra novela que não preciso nem dizer o motivo, é a minha preferida,
que mostra uma modelo que sofre um acidente e se torna tetraplégica.
Conheço pessoas que criticam dizendo que deveriam mostrar uma moça sem
condições financeiras, para, por exemplo, lutar para conseguir uma cadeira de
rodas ou um local para fazer seus exercícios para ter uma melhora na qualidade
de vida.
Mas acho que devemos perceber que novela é algo lúdico, tem que ter uma
"leveza", senão as pessoas não aguentam tanta realidade.
Realidade cruel já assistimos nos telejornais, já lemos nas revistas.
Novela é para diversão, tocando sim, em temas reais, mas não precisam
ser tão fiéis à nossa dura realidade.
Bom voltando à novela em questão, mostrou e mostra todo o período de
recuperação desde a revolta do primeiro momento em que ela se descobre sem
movimentos algum do pescoço para baixo, a alegria dos primeiros movimentos, que
por menores que sejam, são grandes vitórias para ela, a "liberdade"
de voltar a se alimentar e se maquiar sozinha, com auxílio de adaptações nas
mãos, a recuperação da auto-estima, voltando a se sentir um ser humano e uma
mulher como qualquer outra.
Essa mulher nos mostra ainda muita coragem, quando resolve terminar um
namoro de anos, por perceber que ficou "sozinha" desde o momento do
acidente, já que esse namorado não se fez presente em sua vida nesse período
tão difícil e doloroso para ela.
Porém como estamos falando em novela, já sabemos que ela já tem um novo
pretendente, na espera somente de um sinal dela para ficarem juntos.
Isso, sim, concordo que foi escolha do autor da novela, pois, na vida
real não é certo de que ela encontraria alguém tão rápido. Poderia ou não
acontecer.
O que importa eu acho, é que essa mulher é um exemplo do que pode e do
que acontece com muitos de nós deficientes que sofremos um acidente ou que
nascemos com alguma deficiência. Podemos e devemos lutar para ficarmos melhores
e sermos felizes sempre.
Essa personagem, como tantos da vida real, é um exemplo de superação dos
seus limites, e modelo de alegria e amor à vida.
Não é por que temos limitações, sejam elas quais forem, que devemos
ficar trancados em casa e pior trancados dentro de nós mesmos.
Devemos sim, viver a vida, da melhor maneira possível.
Autoria: Isaleão.
domingo, 21 de novembro de 2010
Venham conhecer Salvador.
Como a maioria dos meus amigos virtuais (deficientes ou não) e a maioria
das pessoas que seguem esse blog são de outras cidades, venho hoje fazer-lhes
um convite: Venham conhecer Salvador. Minha cidade como a maioria das cidades
tem inúmeros problemas, mas apesar disso, é uma cidade turística, com um povo
que adora receber, com lugares lindos a serem visitados.
Temos falta de acessibilidade em muitos desses locais, mas como graças a
Deus tudo tem seu lado ruim e seu lado bom, vou nesse post listar alguns
lugares em que nós deficientes podemos circular sem grandes problemas.
Darei opções de hotéis, praças, parques, museus, shopping...
Espero que aceitem esse convite, tenham certeza que serão bem vindos.
HOTÉIS:
Pituba Plaza - http://www.pitubaplaza.com/
Deville Salvador - http://www.deville.com.br/
Sol Vitória Marina - http://www.solexpress.com.br/
Othon - http://www.othon.com.br/
Mar Azul - http://www.marazulhotel.com.br/
Fiesta Bahia - http://www.fiestahotel.com.br/
SHOPPINGS:
Salvador Shopping - http://www.salvadorshopping.com.br/
Iguatemi - http://www.iguatemisalvador.com.br/
Shopping Paralela - http://www.shoppingparalela.com.br/
Shopping Barra - http://www.shoppingbarra.com.br/
Norte Shopping - http://www.norteshopping.com.br/
MERCADOS, SUPERMERCADOS, DELICATESSEN:
Bompreço - http://www.bompreço.com.br/
GBarbosa - http://www.gbarbosa.com.br/
Hiper Ideal - http://www.hiperideal.com.br/
Extra Supermercado - http://www.extra.com.br/
Delicatessen Perinni - http://www.perinni.com.br/
PRAÇAS, PARQUES, PRAIAS:
Jardim dos Namorados - estacionamento com rampa.
Jardim Zoológico - estacionamento com vaga reservada.
Lagoa do Abaeté - estacionamento com vaga reservada.
Parque Costa Azul.
Parque da Cidade - estacionamento dentro do parque.
Parque de Pituaçu - estacionamento com vaga reservada e rampa.
Parque Dique do Tororó - estacionamento com vaga reservada e rampa.
Praça Bahia Sol - estacionamento com vagas reservadas.
Praça Campo Grande.
Praia da Barra.
Praia da Ribeira.
Praia de Amaralina.
Praia de Patamares.
Praia de Placaford.
Praia de Itapoã.
TEATROS:
Diplomata - http://www.diplomata.com.br/
Espaço Xisto Bahia - http://www.espacoxisto.blogspot.com/
Teatro Castro Alves - http://www.tca.ba.gov.br/
Teatro Jorge Amado - www.uec.com.br/teatro.asp
Teatro Módulo - http://www.portalmodulo.com.br/
Teatro Vila Velha - http://www.teatrovilavelha.com.br/
CINEMAS:
Sala Walter da Silveira - http://www.dimas.ba.gov.br/
Sala Alexandre Robatto - http://www.dimas.ba.gov.br/
Glauber Rocha - http://www.unibancocinemas.com.br/
Multiplex Iguatemi.
MUSEUS:
Carlos Costa Pinto - http://www.museucostapinto.com.br/
Eugênio Teixeira Leal - http://www.museucostapinto.com.br/
Museu de Arte Baiana - www.funceb.ba.gov.br/mab
BIBLIOTECAS:
Biblioteca Pública do Estado da Bahia - http://www.fpc.ba.gov.br/
Juracy Magalhães Júnior.
Biblioteca Infantil Monteiro Lobato - http://www.fpc.ba.gov.br/
Mais informações é só acessar : http://www.vidabrasil.org.br/
Ou escrever para : guiadeacessibilidadessa@gmail.com
Agora é só arrumarem as malas e boa viagem...rsrsrs.
Autoria: Isaleão.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Vamos ser felizes, isso que importa...
Esse ainda é um assunto tabu para muitas pessoas, imagina para nós
deficientes físicos.
Que assunto é esse? Sexo, sexualidade.
E por que é mais complicado para nós deficientes? Porque a sociedade
"cobra" a perfeição do corpo: corpo violão, com seios e bunda
durinhos, barriga tanquinho, tórax largo e pernas grossas.
Agora me digam, que deficiente tem esse corpão perfeito? Nenhum, eu
respondo.
Aí entra a auto-estima da pessoa, que se não for uma coisa inerente, tem
que ser trabalhada desde sua infância, senão, na hora "h" da paquera,
da sedução e principalmente na hora "h" do sexo, é uma insegurança
total que aparece : " Ela vai ver minhas pernas finas", " Ele
vai ver que tenho barriguinha", etc...
Ah! além do corpo, ainda temos em alguns casos de deficiência, um ou
dois "fantasmas", que são: incontinência urinária e/ou fecal. Alguns
deficientes lesionados medulares tem uma delas, mas tem outros que têm as duas,
e aí o que fazer?
Tem que ter uma cabeça muito boa, uma auto-estima bem trabalhada e
principalmente ter a sorte de conhecer um parceiro (a) também com a cabeça
muito boa para lidar com isso com naturalidade. Claro que não é o fim do mundo,
mas é complicado para certas pessoas "ditas" perfeitas, entender que
uma mulher ou um homem já adultos não conseguem controlar sua bexiga e/ou seu
intestino quando estão excitados. Existem os que entendem, aceitam e convivem
com isso por realmente estarem apaixonados por seus parceiros deficientes, mas
não sei se posso dizer que é maioria, posso?
Esse assunto é complicado para quem nasce deficiente e para quem se
torna deficiente por qualquer motivo.
Quando estamos sozinhos, tudo bem, é nossa rotina fazer cateterismo,
manobra, massagem, credê, para esvaziarmos a bexiga e fazermos uso de frutas,
fibras e remédios muitas vezes para nosso intestino funcionar.
Mas, na hora em que temos um parceiro (a) esse precisa realmente estar
disposto a nos ajudar a superar toda vergonha, medo, insegurança que temos,
pois, contar que temos um problema assim a mais do que aquilo que a pessoa já
está vendo não é nada fácil.
Claro que estou falando tudo isso pensando que o parceiro da pessoa
deficiente não seja deficiente também, pois, para um casal de deficientes fica
mais fácil falar um para o outro sobre esse assunto. Principalmente se os dois
tiverem pelo menos um dos problemas.
Outro obstáculo a ser vencido, onde no casal um é deficiente e o outro
não, é o sexo propriamente dito, o parceiro não deficiente precisa conversar
muito com o parceiro deficiente para saber seus limites, pois temos problemas
de equilíbrio, de falta de força e movimentos nos membros muitas vezes.
Então não se pode ir para a cama com um lesionado medular, achando por
exemplo, que vamos poder plantar bananeira, subir no lustre ou fazer o Kama
Sutra...rsrsrs.
Mas apesar de todas essas limitações, de todos esses medos, somos
capazes de sermos realizados e realizarmos nossos parceiros sexualmente
falando, é só uma questão de cumplicidade e amor.
E vamos ser felizes, isso é que importa.
Autoria: Isaleão.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Um sonho ainda a ser realizado.
Moro em Salvador, uma cidade linda, turística, mas muito pouco adaptada
para nós deficientes. Infelizmente, como na maioria das cidades brasileiras,
minha cidade ainda não oferece total acessibilidade para pessoas que tenham
qualquer tipo de deficiência. Falta acessibilidade em prédios públicos,
restaurantes, bares, consultórios médicos, lojas.
Eu, como deficiente físico que anda apoiada num andador ou de cadeira de
rodas, sou impossibilitada de frequentar certos restaurantes, bares por falta
de rampas, elevadores, banheiros adaptados. Não posso ir à casas de show por
não ter um espaço reservado para deficientes, além da falta de infra-estrutura
já citada acima. Até na hora de ir a um médico tenho que procurar saber se tem
estacionamento, se o consultório fica numa sala onde eu consiga entrar com o
andador pelo menos.
Muitas vezes, quando vou a uma loja desisto de comprar uma roupa por não
conseguir entrar no provador.
Andar nas ruas de Salvador então, é quase impossível, só anda o
deficiente que realmente precisa resolver suas coisas sozinho. Para isso ele
tem que ter muita força nos braços, equilíbrio e coragem, pois calçadas aqui
não existem, estão cheias de buracos, árvores milenares com raízes expostas,
camelôs, carros parados. Ou seja, um deficiente ou mesmo uma pessoa qualquer,
tem que andar na rua, arriscando-se a ser atropelado por carros, ônibus, motos.
Falando em ônibus, foram pouquíssimas vezes que andei em um, mas o pouco
que pude observar, nesse aspecto minha cidade também está longe do ideal,
faltam ônibus adaptados, falta preparo dos funcionários das empresas para saber
manejar a plataforma onde a cadeira de rodas tem que ser colocada para subir no
ônibus, falta consciência nesses mesmos funcionários, pois muitas vezes somos
vistos nos pontos de ônibus mas os motoristas passam direto ou param fora do
ponto dificultando nossa entrada.
Enfim acessibilidade em Salvador é um sonho ainda a ser realizado.
Autoria: Isaleao.
quinta-feira, 17 de março de 2011
Tsunami Emocional
Nossa vida é cheia de altos e baixos: uma hora está tudo tranquilo;
família, trabalho, amigos e amores...mas, aí de repente, parece que entramos
numa onda gigantesca, num tsunami emocional, e tudo vira de cabeça para baixo!
Você se sente pressionado por todos os lados, entra num baixo astral, um
desânimo toma conta do seu ser. Cada pessoa reage de uma maneira. Algumas
tentam reagir "nadando" contra a corrente, outras se entregam e
deixam a corrente as levar para onde ela quiser. Os que lutam para sair dessa
fase complicada procuram tentar resolver cada problema, colocar cada coisa no
seu lugar, seja sozinho ou com ajuda especializada, e os que se deixam levar
por esse "tsunami", são os que podem sofrer mais, pois além dos
problemas acima citados, ainda podem entrar por caminhos muito perigosos, como
o das drogas, do crime e da prostituição. Na minha opinião, o melhor caminho
para quem entra em um "tsunami emocional" é procurar ajuda, seja de
um amigo, da família ou de algum profissional e não estou falando só de
psicólogo ou psiquiatra mas também de profissionais de outras áreas: terapias
orientais, holísticas. O que importa é que, de uma maneira ou de outra, quem
está nessa situação não pode desistir de lutar para sair dela, não pode
desistir do bem maior que temos: A VIDA.
Não tenham vergonha e muito menos medo de procurarem ajuda, seja onde e
como for.
Autoria: Isaleão.
Só você sabe...
Todos nós temos sonhos, desejos, sofrimentos, angustias...
Por que, às vezes, pensamos que o que sentimos ou queremos é maior ou
mais importante do que o do outro?
Não importa qual seja o seu desejo ou o desejo do outro, ambos tem seu
valor, sua importância na vida de cada um.
Você quer uma viagem, ele quer um carro para não ter que pegar mais
ônibus, ela quer casar, ele quer um emprego melhor, ela quer um vestido novo...
Cada um tem o direito de sonhar e lutar por aquilo que deseja, que
sonha.
Às vezes, os sonhos dependem somente de nossa força de vontade, de nossa
energia para realizá-los. Outras vezes, é necessário que outra pessoa sonhe
junto para que realizemos os sonhos.
O mais importante é não desistir de nossos sonhos por mais difícil que
possa parecer realizá-los.
Não importa o que os outros falem ou até façam para te derrubar, para te
desestimular. Siga em frente acreditando.
Nem que pareça um bobo, sonhador. Continue acreditando e fazendo de tudo
que estiver ao seu alcance pois só você sabe do que precisa para ser feliz e se
sentir realizado.
Autoria: Isaleão.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Sinto Falta
Sinto falta de você,
Do seu corpo quente,
Da sua pele,
Do seu sorriso,
Da sua voz rouca,
Do seu gosto,
Do seu olhar, ora de homem, ora de menino.
Sinto falta de você,
Fazendo - me sentir feliz,
Livre,
Mulher e menina.
Sua ausência ocupa todo o meu dia.
Mesmo à distância,
Ainda sinto você aqui,
Perto de mim.
Com você aprendi o que é amar.
Sem você aprendi o que é chorar.
Autoria : Isaleão.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Obrigada, colega!
Quem me conhece sabe que, hoje, não levo ( ou não trago...rs) desaforos
para casa.
Mas nem sempre foi assim. Já fui muito magoada, machucada emocionalmente
falando desde a infância até a adolescência. Já tive colegas que riram de mim,
professores que me cobravam além do que eu podia fazer. Mas, hoje, vou falar de
uma colega em especial, que foi da minha sala por 4 anos. Não vou citar o nome
dela, mas com certeza não vou esquecer nunca. Tudo começou com risinhos,
coxixos, olhares atravessados, intrigas entre colegas, chegando a acusação de
roubo de dinheiro de uma professora, ameaça de "porrada" nos
corredores vazios no final da aula. Passei 4 anos tentando entender o porque de
tanta implicância e, ao mesmo tempo, tendo que aprender a me
"defender". Foi daí que comecei a aprender a responder a cada ato de
implicância, a cada comentário maldoso a meu respeito. Não foi fácil, chorei
muitas vezes sozinha, fechada em meu quarto ou embaixo do chuveiro, até começar
a me fortalecer para revidar tudo aquilo.
Por que tanta implicância? Será que é porque eu era
"diferente", porque ela tinha raiva do meu jeito de ser? Amiga e
carinhosa com todos, eu era, graças a Deus, querida da diretora do colégio até
o pessoal da faxina.
Era por tudo isso e por ciúmes dos rapazes da sala ( não, eu não sou
poderosa e nem gostosa a ponto de tê-los aos meus pés...rs), mas como
"brinco" sempre, não posso dizer que não encontro homens cavalheiros,
pois, por minha condição física, sempre encontro aqueles, que abrem a porta
para mim, ajeitam uma cadeira, cedem o lugar para eu sentar...kkk
E com aqueles rapazes não era diferente. Isso causou um enorme ciúme
nela que estava acostumada a ser bajulada, cortejada o tempo todo. Tentei
conversar, mostrar que não estava tirando a atenção dela, só precisava de um
pouco de ajuda. Mas, hoje, eu até agradeço o que ela fez, pois além de me
fortalecer emocionalmente, levou-me a parar para "estudar" como ser
mais independente em certas situações, como: puxar uma cadeira usando o pé do
andador, abrir uma porta encostando-me na parede ou fazer isso e outras coisas
ajoelhada no chão.
Muito obrigada, colega.
Autoria: Isaleão.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
A Bela e a Fera
Nesse fim de semana, voltei à minha infância assistindo à historia
"A Bela e a Fera" na tv. Não sou mais criança, e nem gostaria de
voltar a ser, mas adoro ver filmes de animação e alguns desenhos que me
relembrem essa fase da minha vida. E essa historia " A Bela e a Fera
" sempre foi a minha preferida, o motivo só tive consciência, na
adolescência, é que ela nos mostra que devemos olhar, gostar, amar as pessoas
além da sua aparência. Quantas vezes, quando pensamos em ter um namorado (a)
pensamos: quero uma pessoa bonita, carinhosa, companheira, com bom humor,
simpática.
Gente, coitados dos feios (as)! Será que eles só podem ser e ter amigos
(as), não têm o direito de amarem e serem amados (as)?
Essa cobrança da nossa sociedade pela busca do belo, do perfeito, é
horrível!
Quem foge aos padrões de beleza (magro, branco, olhos claros, cabelos
lisos) é um monstro, uma "fera"?
O homem tem que ser alto, barriga de "tanquinho", pernas
grossas. A mulher, corpo violão, seios e bunda empinados e durinhos. Quem tem
barriguinha de chopp, é careca, tem celulite e estrias, não tem direito a um
amor? Pior se torna essa imagem do "perfeito", quando a cobrança vem
para nós deficientes. Calma, não estou dizendo que nós deficientes somos feios,
mesmo porque eu não sou...kkk. Mas muitos têm pernas e pés defeituosos,
cicatrizes, andam tortos, numa cadeira de rodas, são cegos, não tem controle
dos movimentos do rosto e corpo. Coisas, que aos olhos preconceituosos da
sociedade, são vistas como "feio" e isso atrapalha que nos enxerguem
de verdade, que percebam que, em cada um de nós, existe um ser humano, uma
pessoa que pode e quer amar e ser amada, como qualquer gostosona ou qualquer
malhado de academia. E é isso que a historia " A Bela e a Fera " nos
mostra, que precisamos muitas vezes conhecer a "fera" que vemos no
outro, para conseguirmos enxergar o quanto aquela pessoa pode ser " bela
".
Autoria: Isaleão.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Boa sorte para todos nós....
Houve um tempo em que acontecia no portão, no sofá da sala com os pais
da moça sentados ao lado, nos bailinhos, nas baladas, etc...
Hoje, há um novo modelo, o virtual, que nada mais é do que você escolher
uma pessoa, entre as tantas que você conversa ( tecla ), para conhecer melhor,
trocar experiências vividas, falar dos seus sonhos, gostos e desejos. Para daí,
em diante, ver se acontece o surgimento de um sentimento especial, a vontade de
ficarem juntos na vida real.
O namoro virtual não é uma loucura, não é safadeza. Ele serve para que
certas pessoas que estão sozinhas, seja, por timidez ou por terem outros tipos
de dificuldade, como nós deficientes ( por causa do preconceito ), consigam,
quem sabe, encontrar uma pessoa legal para se relacionar, namorar e até casar.
Como todo namoro real, o namoro virtual tem que ser vivido com cuidado,
com cautela, pois, tanto em um como no outro, no começo, são duas pessoas
estranhas, uma não sabe do que o outro é capaz de fazer.
E pela internet é mais complicado porque não conhecemos o cheiro, o tom
da voz, os atos, o olhar daquele que está do outro lado da tela.
Só podemos confiar (desconfiando a princípio) naquilo que está sendo
escrito. No real, podemos, logo, conhecer amigos, família daquela pessoa que
estamos namorando. No virtual, podemos conhecer um amigo, se for seu amigo
virtual também e família, só se os dois tiverem a webcam.
Mas, enfim, tanto no real ou virtual, há prós e contras. Tem que se
tomar cuidado.
Pode-se ter sorte ou não de encontrar a pessoa certa.
Sei de namoros, tanto reais quanto virtuais, que só duraram uma semana,
e sei de outros que já duram um ano.
O que é preciso é ter coragem de ir atrás da sua felicidade, seja olho
no olho ou através de uma lente.
Boa sorte para todos nós.
Autoria : Isaleão.
domingo, 19 de julho de 2009
ANJOS DE UMA ASA SÓ.
Deus nos fez anjos de uma asa só.
Porque Ele fez isso? Para nos encontrarmos com outros anjos de uma asa
só, e assim nos tornarmos AMIGOS.
Amigo verdadeiro é igual a um anjo, pois, está em nossas vidas para nos
alegrar, para chorar conosco nos momentos difíceis, para mostrar nossos erros
com carinho e cuidado e não com críticas.
Desde que nascemos já estamos rodeados por esses anjos. Eles vêm
divididos em grupos: Grupo de Anjos Família: pais, irmãos, tios, primos e avós.
Grupo de Anjos Colegas: colégio, faculdade. Grupo de Anjos do Trabalho. Existe
o Anjo Namorado (a), que pode se transformar em Anjo Marido/Esposa.
Esses são os grupos de anjos que sempre existiram em nossas vidas, mas
de um tempo para cá, surgiu um novo grupo, o Grupo dos Anjos Amigos Virtuais.
Esses Anjos, podemos não nos conhecer pessoalmente, mas estão presentes em
nossas vidas através de emails, msn,orkut. Pois, mesmo à distância, mandam
mensagens de carinho, de força, de coragem, e nos puxam as orelhas quando
fazemos algo errado.
Não importa quem são, como surgiram em nossas vidas, o que importa é
saber que nos momentos felizes ou infelizes podemos sempre contar com os Anjos
Amigos. Porque um Amigo é a certeza de nunca estarmos sozinhos.
Eu agradeço por ter encontrado tantos Anjos de uma asa só, durante toda
a minha vida. Amo todos vocês.
Isaleão.
domingo, 28 de março de 2010
Acessibilidade.
Só quem convive direto ou é deficiente, que anda com dificuldade ou com
auxílio de algum aparelho como cadeira de rodas, muletas, bengalas ou que não
enxerga ou que não ouve, conhece realmente a falta de acessibilidade nas
cidades brasileiras.
Não só a acessibilidade no que diz respeito a rampas, elevadores,
banheiros públicos largos, mas também à faixa tátil, sinais sonoros para
deficientes visuais e luminosos para deficientes deficientes auditivos.
Para quem está no grupo chamado de " normais ", isso tudo
passa desapercebido, muitas vezes é visto como bobagem, coisa sem importância,
mas para nós deficientes, significa a nossa liberdade, a nossa autonomia, o
nosso direito de ir e vir respeitado.
Em cada setor da sociedade responsável pela acessibilidade nas cidades,
deveria ser obrigatório o uso da opinião de um deficiente seja : físico,
auditivo, visual, porque na teoria é fácil planejar rampas, banheiros,
etc...mas quantas vezes o deficiente vai fazer uso do que foi projetado para
ele e tem dificuldade assim mesmo? É rampa que está íngreme demais, banheiro
que não tem espaço para o deficiente se mexer, pistas táteis que param em
frente a lugar nenhum ou em frente a um obstáculo como poste, telefone
público...
Os órgãos competentes da sociedade, precisam tomar cuidado com esse tipo
de erro, pois, não adianta fingirem que não existimos.
Existimos sim, somos cidadãos como qualquer um, temos os mesmos direitos
e deveres.
Então o mínimo que exigimos é RESPEITO.
Autoria: Isaleão.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Namoro X Amizade.
Namorar é uma delícia, eu sei.
Ter alguém com quem trocar carinhos, beijos, sair para passear, dividir
bons e maus momentos.
Mas há um cuidado que precisamos ter: o de não nos afastarmos de nossos
amigos. Infelizmente nem todos tomam esse cuidado.
Ficam tão apaixonados, tão agarrados aos seus amores que esquecem dos
amigos que já faziam parte da sua vida e até daqueles que " vieram "
com o ser amado para sua vida.
Compreendo que quando estamos namorando ou até mesmo casados, o
companheiro ou companheira seja o principal foco de nossa atenção, mas devemos
manter a atenção para com nossos amigos, pois, namoros e até casamentos podem
acabar, mas uma amizade se for verdadeira pode durar a vida toda.
Sejamos felizes com nossos namoros, casamentos, mas aprendamos a dividir
nossa felicidade com nossos amigos pois, quanto mais dividimos nossa
felicidade, mas ela cresce e se espalha.
Autoria: Isaleão.
segunda-feira, 31 de
janeiro de 2011
É errado se pensar
assim...
Para algumas pessoas o
fato de se ter uma deficiência é o bastante para que achem que não temos outros
defeitos, mas isso é um absurdo. Somos humanos como os "ditos"
normais, então além das deficiências: físicas, auditivas, mentais, temos os
defeitos comuns a qualquer pessoa tais como: egoísmo, ciúmes, mentira, mau
caratismo, ganância, etc...Não é porque uma mulher tem uma deficiência que não
é invejosa, e não é porque um homem é deficiente que ele não pode ser
mau-carater. É errado se pensar assim, mas também é errado, o deficiente querer
usar a deficiência para encobrir seu verdadeiro "eu". Ah! como eu
poderia fazer isso se sou deficiente e estou "preso" a uma cadeira de
rodas? ou como pode pensar isso dela? coitadinha, ela é deficiente. Nós
deficientes temos sim nossas "diferenças" mas isso só acontece no
"campo" da deficiência, no resto somos iguais a todos, com direitos e
deveres. Direito de sermos respeitados e o dever de respeitarmos o próximo.
Autoria: Isaleão
Terapia...
Outro dia estava em um chat (bate papo), que é um dos meus vícios, kkk e
de repente no meio de uma conversa com um homem, ele disse que estava com a
auto-estima baixa, sentindo-se sozinho, carente e perdido, e não pensem que era
um jovenzinho não, era um homem maduro que já passou dos 50 anos. É isso mesmo,
um homem que na teoria já deveria estar seguro de si e da sua vida, mas que, na
prática não estava se sentindo nem um pouco seguro de nada. Ele me pediu ajuda
para se sentir melhor, eu disse o que penso ser a melhor coisa para qualquer
pessoa que se sinta assim fazer e perguntei: Porque não procura fazer terapia?
Ele riu e disse que nunca tinha pensado nisso e que nunca disseram que ele
precisava desse tipo de coisa. Aí, eu disse: Pense com carinho na possibilidade
de procurar um psicólogo. Não sei se depois disso ele "caiu" ou saiu
da sala de papo, talvez achando que sou doida...kkk. Infelizmente é o que a
maioria das pessoas pensam. Que quem procura esse tipo de ajuda é doido,
desequilibrado. Se todos ou pelo menos grande parte das pessoas tivesse um
apoio desses durante a vida ou em uma fase da vida, acho que não teríamos
tantas pessoas infelizes consigo mesmas, com suas vidas e com os outros.
Hoje, faço terapia pela segunda vez, e posso dizer que das duas vezes
valeram a pena. Na primeira, consegui colocar certas questões em ordem e agora
estou conseguindo colocar outras no lugar. Não vou falar que é fácil você
remexer em coisas que você não tem nem consciência e que quando vem à tona te
dá um nó interno que só com a continuidade do processo terapêutico para que
consiga "digerir" tantas "novidades" a seu respeito. Eu procurei
pela segunda vez esse tipo de ajuda não só para cuidar de novo da minha
auto-estima que voltou a ficar abalada por questões emocionais/sentimentais
ocorridas anos atrás, mas também para tentar descobrir o porquê de eu não ter
interesse pela vida prática, para saber porque não consigo me interessar, me
"apaixonar verdadeiramente" por nada. Eu ainda estou nesse processo
de descoberta mas o que já tem sido levantado como possível causa garanto a
vocês que não está sendo fácil de "trabalhar". Teria a ver com a
separação de meus pais, o fato pode ter me atingido mais do que sempre pensei.
Por me sentir abandonada por meu pai, inconscientemente não vi mais porque
fazer nada para agradá-lo, já que perdi " meu herói", então perdi a
vontade de ser "sua princesinha" e me fechei totalmente. Mas como
isso ainda são suspeitas vou deixar quieto por enquanto ok. Vou falar do que já
está descoberto, certo e definido. Perdi o medo de ficar só. Isso mesmo, não
sou mais criança, mas desde a infância, a idéia de ficar só durante um dia que
fosse, a idéia de dormir sozinha, então, me apavoravam, mas isso passou e isso
pude comprovar passando uma semana só, pois minha mãe viajou e só pediu que uma
prima minha e meu irmão viessem dormir comigo por medo que eu passasse mal e não
conseguisse ligar para pedir socorro. O que importa é que passei os dias
sozinha sem me sentir insegura em momento algum, cuidando de todos os detalhes
do andamento da casa. Agora ela voltou, voltamos para nossa rotina mas com
certeza não sou mais a mesma.
Obs: Para quem não tem condição financeira pode procurar faculdades de
psicologia, associações e instituições ligadas à deficientes que o atendimento
é gratuito ou com valor mínimo.
Autoria: Isaleao.
Sou especial por outros motivos...
Não acho que dizer, sou deficiente físico, auditivo, mental, visual,
seja o mesmo que dizer sou deficiente em tudo, sou deficiente para a vida. Quer
dizer, sim, sou deficiente em uma área da vida.
Não gosto das expressões " pessoa especial " ou " pessoa
com necessidades especiais ".
Se ser deficiente é ser especial, preferia ser comum...rsrsrs.
Quanto às minhas necessidades, elas não são especiais, são básicas e
iguais às de qualquer pessoa. Tenho necessidade de ser respeitada em todos os
meus direitos, tenho necessidade de ser amada como qualquer indivíduo.
Sei que muitos preferem ser chamados de " especiais " e até de
" aleijados " , isso vai da cabeça e auto estima de cada um.
Mas penso, o que há de especial em andar de muletas, andador, cadeira de
rodas e não poder subir uma escada ou subir com dificuldade ou até carregado? o
que há de especial em não poder ouvir uma música bonita ou a voz das pessoas
que você ama? o que há de especial em ter que confiar em outra pessoa para te
vestir porque você não consegue enxergar suas roupas e confiar em um cão porque
não consegue enxergar os obstáculos no seu caminho? ou muitas vezes ficar
alheio ao mundo ao seu redor, porque não tem consciência do que está
acontecendo?
Não sei quanto a vocês, mas eu não me considero especial por ser
deficiente físico, me considero especial sim, mas por minhas qualidades e
defeitos, pois antes de ser deficiente físico, sou um ser humano igual aos que,
graças a Deus, andam, ouvem, falam, pensam, sem se dar conta muitas vezes do
quanto isso é maravilhoso.
Autoria : Isaleão
sábado, 30 de outubro de 2010
Baixa Auto - Estima.
As vezes nós conhecemos alguém que está sempre sorrindo, rodeada de
amigos, com companheiro (a), apaixonadas, fazendo tudo para fazê-lo (fazê-la)
feliz, com um bom emprego, enfim com tudo para se sentir realizada.
Aí pensamos: Poxa, essa pessoa é realmente feliz...Será?
Muitas vezes tudo isso é só "fachada" pois a tal pessoa não é
verdadeiramente feliz. Tem algo dentro dela que não a deixa satisfeita. Isso se
chama baixa auto -estima. Isso mesmo, a pessoa tem tudo que todos desejam ter,
mas se sente um lixo, acha que não merece ter nada do que tem.
E não é só com pessoas comuns, do nosso convívio que isso acontece,
acontece também com artistas famosos.
A diferença é que quando acontece com uma Maria ou um José qualquer por
aí não chama a atenção de todo mundo, mas quando acontece com uma
"estrela" aí a coisa toma uma proporção tão grande que passa a ser
notícia. Quantas pessoas "próximas" você vê que não estão satisfeitas
consigo mesmas, com suas vidas e entram por caminhos as vezes perigosos como o
das drogas e não tem ninguém para ajudar ?
Agora, se é um artista que vai por esse mesmo caminho, ou pelo caminho
dos escândalos, logo vai para mídia e aí , ou vai preso por pouco tempo ou vai
para uma clínica de recuperação.
Esse "estrago" que algumas pessoas cometem com suas próprias
vidas, muitas vezes tem a ver com sua auto - estima que é baixíssima. Tem a ver
com a auto - imagem.
Na grande maioria das vezes, quem tem baixa auto - estima não sabe que
tem ou não aceita que tem por ser muito difícil admitir não gostar de você
mesmo, do que se vê refletido no espelho todos os dias e por isso não procura
ajuda para melhorar isso e por consequência, melhorar sua vida.
Se tomasse consciência e coragem de ir em busca de uma ajuda específica,
saberia que esse é o único caminho para se sentir melhor e com isso viver
melhor com os outros e principalmente consigo mesmos.
Pensem nisso, conselho de amiga e de alguém que teve essa coragem e só
teve a ganhar.
Autoria: Isaleao
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Hoje, eu me gosto muito mais, porque me conheço muito mais também...
Há quem diga: " Eu adoraria voltar à minha infância, à minha
adolescência...". Pois eu não gostaria não, e nem gostaria de voltar a ser
a Marisa de anos atrás.
Por que isso? Porque até um ano atrás, eu estava perdida em dúvidas
sobre coisas que eu queria para a minha vida, estava mergulhada em mágoas,
revoltas e arrependimentos.
O que mudou? Muita coisa dentro de mim.
Como eu consegui isso? Mergulhando fundo dentro de mim, dentro da minha
história de vida. Esse mergulho não foi nada fácil, na maioria das vezes, mas
eu não estava sozinha, tinha uma pessoa que me ajudava e guiava a cada
mergulho.
Essa pessoa foi minha terapeuta. Pois é, já comentei aqui que estava
fazendo terapia psicológica e essa foi a ajuda, o apoio que eu tive nesse
mergulho difícil mas necessário. Necessário para que eu entendesse e aceitasse
coisas que vivi e senti em várias fases da minha vida até esse momento.
Relacionamentos familiares, vida sentimental e o principal, minha
relação comigo mesma. Às vezes, crescemos mantendo um certo tipo de
comportamento, com algumas idéias fixas, mas não temos consciência do quanto
aquilo tudo nos afeta, nos aprisiona em algo que só nos faz mal.
Com a terapia, consegui enxergar tudo o que me machucava e que eu não
tinha coragem de mexer por medo de não aguentar: minha visão errada quanto a
meu pai biológico e meu paidrasto, minha vida sentimental, sempre procurando
homens complicados, inacessíveis a um sentimento verdadeiro. Percebi que criei,
ao meu redor, um muro, para não ter que abrir mão de conceitos e atitudes que,
mesmo me machucando inconscientemente, mantinham-me viva.
Fez-me deixar de lado um personagem que criei para conseguir viver nesse
mundo real. O personagem da menina carinhosa, feliz o tempo todo, disposta a
ajudar a todos que me procurassem, sem mostrar que eu não era tão feliz assim,
que eu também preciso de ajuda ( o colo que dou também quero e preciso às
vezes, sabiam?), pois sou humana também.
Hoje, com certeza, eu digo que sou uma Marisa muito mais feliz e muito
mais inteira.
Como minha terapeuta diz: Você não vai sair da terapia sem voltar a
chorar, sofrer, decepcionar-se como a maioria acredita...Com certeza sei que
não virei uma heroína imune ao sofrimento, mas vou conseguir passar por tudo,
hoje, sabendo que não vou morrer, que vou me reerguer se tiver um momento
difícil.
Por que tenho essa certeza, hoje? Porque, hoje, eu me gosto muito mais,
porque me conheço muito mais também.
Alguns erros do passado não terei chance de corrigir, mas outros, com
certeza, não repetirei.
Ainda ficaram alguns pontos em aberto, mas porque eu não consegui me
abrir para deixar certas motivações entrarem em mim.
Quem sabe, daqui a um tempo terei que fazer terapia, pela terceira vez,
para cuidar do que ainda ficou inacabado?!!!
O que eu posso dizer é que esse ano para mim, foi muito importante, para
colocar muito da minha vida em pratos limpos e com isso conhecer a verdadeira
Marisa, sem personagens, sem máscaras, sem medo de fazer escolhas e ser feliz
da melhor maneira possível.
Obrigada, Dani, pelos empurrões e pela mão estendida.
Valeu cada mergulho e cada volta à tona.
Autoria: Isaleão.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Minha História
Nasci com Mielomeningocele (Spina Bífida) e Hidrocefalia. O que são:
Mielomeningocele_ Lesão medular congênita, que a depender da extensão da
lesão pode ocasionar sequelas diversas.
Hidrocefalia_ Aumento do líquido intra-craniano. Se não controlada a
tempo, leva a óbito.
No meu caso, a mielo atingiu meu equilíbrio para andar solta, me fez ter
incontinência urinária (controlada com idas ao sanitário de tempo em tempo).
Com 15 horas de nascida, fiz minha primeira cirurgia para fechamento da mielo.
Depois com 3 meses fiz outra para controle da hidrocefalia, colocando válvula
no alto da cabeça(hoje já não tem mais função), depois de um tempo fiz mais uma
para soltar os pés que nasceram presos para dentro, mais um tempo e coloquei
válvulas nos ureteres para controlar o refluxo da urina, com 7 anos fiz mais
uma cirurgia, dessa vez para corrigir a luxação do quadril pois nasci com os
fêmures deslocados, não sendo bem feita essa cirurgia, fiz outra com 9 anos
para correção da primeira, no RJ.
Durante esse período da infância, fiz fisioterapia no IBR (Instituto da
Bahia de Reabilitação).
Só depois da segunda cirurgia para a correção da luxação no quadril que
pude finalmente andar apoiada no andador. Mas mesmo tendo passado por tudo isso
no início da infância, tive e tenho vida normal. Fui uma criança como outra
qualquer, estudei, fui a todos os lugares que uma criança vai: praia, cinema,
teatro, parque, acampamento. Sempre rodeada da família e amigos. O amor e o
apoio da minha família nunca me faltou.
Apesar dos meus pais se separarem quando eu era criança ainda, nunca me
senti desamparada, pois tinha minha mãe sempre ao meu lado e a falta de meu pai
era muitas vezes superada por tios.
E, dois anos após a separação, Deus colocou aquele que seria meu segundo
pai, para falar a verdade, meu verdadeiro pai, que foi meu padrasto, não podia
ter tido mais sorte, pois ele estava comigo para todos os momentos. Com minha
mãe, que é uma verdadeira leoa para defender os filhos e meu padrasto ao meu
lado não tinha como me sentir desprotegida. Nem mesmo quando sentia o
preconceito de algumas pessoas, sim, passei por situações de preconceito na
escola, com colegas dizendo que não gostavam de mim por eu não andar, por eu
ser doente, por eu ser diferente, com professores que cobravam de mim mais do
que podia fazer.
Enfrentei olhares, piadinhas, risinhos, comentários maldosos...
como se eu não tivesse o direito de estar ali naquele lugar. Mas como
venho de uma família " que não leva desaforo para casa " aprendi a
superar e a transformar o sofrimento em respostas desaforadas ou em lições de
moral, a depender da situação, e assim, fui aprendendo a lidar com todo tipo de
gente. Desde os maldosos que me machucavam com palavras até os desinformados do
que seria uma pessoa com deficiência. Na adolescência isso ficou mais doloroso,
pois já tinha total consciência das minhas limitações e da maldade alheia. E
para quem já passou por essa fase, sabe como é complicado não sermos aceitos no
grupo. Era dolorido perceber que as meninas me olhavam com ar de superioridade
pois se achavam melhores, mais interessantes do que eu por não precisarem usar
um andador para andar, e que os rapazes não conseguiam enxergar que atrás
daquele andador existia uma adolescente como todas as outras, com sonhos,
desejos e capacidade de se apaixonar como qualquer outra, sendo assim elas me
olhavam como se eu fosse inferior e eles como aquela que só podia ser
"amiga", ou pior, "melhor amiga".
O que ninguém sabia ou não queria saber é que eu fingia não perceber
nada disso para tentar ser feliz. Não foi fácil admitir para mim mesma que
todos estavam errados pois sem perceber eu vesti o personagem que eles me deram
da " melhor amiga " , da " menina feliz ", até o ponto que
não aguentava mais e precisei de ajuda para encontrar a verdadeira Marisa, tive
que procurar um psicólogo/psiquiátra.
Foi a melhor coisa que fiz, com ele consegui me conhecer, colocar certas
coisas no seu devido lugar e daí consegui ser feliz. Passei a me dar mais
valor, a me ver não só como deficiente físico mas sim como pessoa e
principalmente como mulher.
Quando me reconheci como mulher, passei a me ver como um todo e não só
da cintura para baixo. Sempre fui vaidosa, mas escondia o que eu tenho de
" perfeito" e fazia questão de mostrar o que eu tenho de "
imperfeito ", ou seja, deixei de usar blusas fechadas com shorts e
minissaias e passei a usar blusas decotadas, de alcinha com shorts e
minissaias. Entenderam a diferença?
Hoje, eu não sou apenas uma deficiente físico e, sim, uma mulher que tem
uma deficiência física. Mas mesmo tomando essa consciência não pensem que foi
ou que é fácil lidar com meus medos, inseguranças, pois não é. Até eu conseguir
realmente me sentir mais segura em relação a mim " penei " um bocado.
Senti muita solidão, tinha uma carência monstra. Até que um dia conheci aquele
que seria meu primeiro namorado, isso eu já tinha 30 anos, isso para muitos é
tarde demais, mas para nós deficientes não é tão raro acontecer, principalmente
para aqueles que não tem uma auto-estima lá essas coisas como eu ....rsrsrs.
Ficamos 1 ano juntos oficialmente e 4 anos tentando se encaixar de novo.
Durante o primeiro ano, fui feliz em muitos momentos com ele, aprendi muito
sobre o que é ser mulher num relacionamento, aprendi a ver o que eu aceito ou
não, o que engulo ou não de sapos. E olha, que engoli vários. Terminamos,
ficamos alguns meses afastados, até que nos reencontramos, conversamos e
resolvemos voltar, mas não foi mais a mesma coisa, eu estava passando por uma
fase difícil familiar, e além disso, não conseguia mais confiar e acreditar
nele, fui segurando o namoro na verdade para não me sentir mais sozinha e perdida
do que já estava, até o dia em que ele disse que queria terminar. Terminamos em
definitivo.
Fiquei 6 anos sozinha tendo meus altos e baixos até que conheci um homem
através de um site de deficientes, ficamos 6 meses juntos entre idas e vindas,
voltei a acreditar que poderia ser feliz mais não deu. Mas, como a vida
continua e a esperança é a última que morre, continuo em busca da minha
felicidade.
Autoria : Isaleão.
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